segunda-feira, 22 de julho de 2013

Névoa...

Ficou uma névoa de mim...

Quem sou? Mãe, é a resposta, mais do que a professora, mais do que a meditativa zen pervertida/perdida...Está no topo este status.

Ele chegou. Eu saí. Eu que nem sabia de mim, me deixei sair. E saíram os outros também...ilhei-me e não vi...Quando ele saiu, foi que percebi.

Ele, que consegue ver meu sofrimento, que já tirou  toda a beleza que tentava enfeitar em mim, que já me fez sentir imunda e vil com esse corpo tão profanado...o qual me custa até ver. Deixa- me aqui com esse gerar e consegue, na sua hipocrisia tamanha, dizer-se "esposo cuidadoso", quando é bicho no cio para qualquer ordem de mulher. A que ponto subterrâneo consegui cavar? Acaso eu ceguei para o brilho benigno das horas em silêncio?

Eu não sei como me retomar, como me achar ali nesse confuso arremedo...eu nem notei, me pus.

Eu, com meus sonhos tortos que nem sei se queria vivê-los. Com todo o feminismo revolucionário de protestar contra lavar uma louça...sou aqui tão d. de casa, tão borralheira, tão exaurida na minha morte em vida.

O que é essa condição a que nos submetemos, mulheres de todo o mundo...Que chaga infinita é essa tão putrefata que não cura? Colocamos cabrestos ao nos sabermos mulher? Por que somos esse pedaço de carne desfilando para atrair olhares de animais que só conseguem nos ver como alvo de penetração, de uma contemplação doentia e gosmenta?

A louca das pedras no bolso, dos comprimidos em sequência, do punhal, da corda pendente...era apenas uma tentativa fracassada de adequação...

Será que se pudessem voltar no tempo teriam feito diferente? Mas o que teriam feito?

Eu não sei se posso suportar, nem posso voltar, nem sei o que fazer...

Eu, jazendo e gerando vida...o maior paradoxo que jamais poderei resolver.

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