quinta-feira, 18 de julho de 2013

Privei-me dos desatinos todos. Aqueles primaveris.

Se a tal suavidade das mãos tacanhas e os olhos postos na matéria vida da pupila alheia não eram para esta vida...que mal havia?

Era um script, uma sinopse, um roteiro qualquer... cheio de nuances familiares e obrigações gestoras...enfim, que mal havia? Era apenas uma derrocada nas minhas memórias de orgasmos com choro espúrio!

"Não havia mal" - eu repetia e até cria nesse dizer, julgava-o firme e resignado... Vencedora de mim, arfava tosca...

Pobre borboleta lisboeta e moribunda nesse um dia de querer ser única...de querer amor etéreo...

Tantas asas de borboleta, todas tão efêmeras nos seus coloridos pontos de interseção com os interesses dele- que era tão colorido...

...e eu pendendo na asa volitiva de minha autoimagem querendo ser "a".

Hoje? Tem cor de pai e de administrador do cotidiano, o janota...cores sóbrias, claro...

Do azul mais profundo que dele brilhava surgiu uma escara. Da fricção de suas memórias de Antônia, a chaga era cor de coisa  cinzanta- rubi, cor de coisa mal guardada que não se quer lembrar...

Sei lá dessa cor...cego para a profanação do meu corpo-dele.

Hoje? Meu corpo é um templo, um forno, um gestador da vida- não minha...A alma dele (do "meu" corpo) se perdeu na entrega de atuar em qualquer papel...

Sim, é mesmo. As de Bernadete, de cigana, Camilas, menina com quem teria perdido a virgindade, Stephanes, silhuetas diversas, Eugênias, indianas e coxas e seios e nádegas e conversinhas ao pé das janelas virtuais e todas aquelas poesias letárgicas que arremessavam a  minha volúpia vertigem (enfeitada de guirlandas e pureza) às favas de um cesto esquecido... Sim, eu fazia um enlace entre amor e fidelidade...essa era eu em meu processo de cultura-ação livresco e cinematográfico...

E foi assim que esgueirei-me dessa fuligem branca de almas gêmeas e gomas açucaradas...


Posso dizer aqui que isso me esquarteja em lágrimas secas, mas negarei até a morte se me desmentires...

Amanhã ele trará o pão à cama e eu irei sorrir com a gratidão de quem agradece o sortilégio de se contentar com pão e achar muito bom sorver ar e ter vida, ainda que a vida seja um roteiro escrito por outra mão.


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